Foi em uma manhã que eu cheguei, quase sozinha, meu companheiro era o primeiro raio de sol que surgia ao horizonte. A casa passo que eu dava parecia pisar em um pedra, mas também a cada passo via a luz do dia ficando mais forte e as flores nascendo por entre as pedras. Algumas flores eram lindas, perfumadas e coloridas, porém seus rústicos espinhos não as deixavam ser colhidas. Já outras não tinham aquela beleza comum, era uma beleza que poucos sabiam reconhecer. Elas também tinham espinhos, muito mais do que as outras. Mas quando regadas, seus espinhos surpreendentemente caíam, um a um. Estas eu colhi e mesmo depois de meses elas permaneceram intactas e estão comigo até hoje. Também vi pássaros e adorava ouvir seus cantos, me acalmavam, era a melhor maneira que eu tinha de esquecer das dores que as pedras me causavam. Até um arco-íris me apareceu ao céu, nesse momento eu tive certeza que jamais conheceria um lugarejo como aquele. A tarde, as pedras não me incomodavam mais. Eu fiz delas um caminho que no final dava em um sereno rio. Naquela hora eu já havia colhido muitas flores, mas não as tirara da terra. Elas estavam guadardas em um lugar que ninguém poderia tocá-las e muito menos machucá-las. Os pássaros, cansados de cantar e voar, já se recolhiam para seus ninhos. Até que a noite chegou com seu negro céu repleto de pontos de luz. Então percebi que já era hora de voltar para casa.